Senhora da Conceição – em 2021 cá estaremos!

Outrora, a 8 de Dezembro também por cá se considerava o Dia da Mãe. O dia e Festa da Imaculada Conceição sempre se continuou a celebrar e contando sempre na sua organização com uma comissão de jovens solteiros. Hoje apenas se celebrou a Missa Solene na Igreja do Divino Salvador, e não, como habitualmente, na Capela de S. Francisco, devido às condições impostas pela pandemia.

A procissão não pôde fazer o habitual percurso até à Rotunda do Cruzeiro, no Alto da Feira. O povo não pôde prestar o seu culto e devoção à santa que venera na rua. Procissão que é concluída com a passagem dos sons divinos interpretados pela Banda de Freamunde.

Momento em que ficávamos a saber quem eram os músicos mais novinhos a entrar para a nossa Banda. Dia de regozijo e muita felicidade para eles, os seus familiares, a instituição, e, claro está, para os Freamundenses, satisfeitos por saberem que o nobre “sangue azul” continua a pulsar nos acordes da primeira arte.

Para alguns, era conhecida como a “Festa do Senhor Ramiro”, saudoso, por aí ser ponto de encontro de amigos que aí confraternizavam entre uma sande de presunto, petiscos e uma pinga de vinho. Durante alguns anos esta parte da alma da festa deixou de existir.

Através das comissões das Sebastianas este espaço regressa na Festa da Senhora da Conceição e trouxe de novo o usufruto e um saborear de momentos por muitos aí vividos, bem como outro espaço na antiga casa do senhor Luís Teles de Menezes. É aqui que as comissões das Sebastianas são pela primeira vez “avaliadas”. Deixa ver que vinho é que eles arranjaram para a Santa Luzia, dizem alguns, enquanto já provam os rojões e as papas de sarabulho. É em Dezembro, já está frio, lá se bebe mais uma pinga que desinibe no reencontro com os amigos que já não se vêm há algum tempo.

As Sebastianas são como que as festas de Freamunde, a Festa da Senhora da Conceição é a festa dos Freamundenses, é tudo mais “caseirinho”, quase só prata da casa, gente que vibra com as novidades do repertório que a Banda de Freamunde apresentou, com o nosso Hino, com as músicas de Natal que ganham um maior brilho e significado, que sabem onde é o melhor local para ver os ferreirinhos, que já não são como antigamente, como lamentam o “Quim Manel da Bombeira” e o “Tónio Laréu”, sempre prontos para trocarem as voltas ao fogueteiro.

O vinho acaba quase sempre por ser aprovado, pelo menos por alguns, os últimos a se irem embora, que amanhã é dia de trabalho e dia 12 temos a noitada da Santa Luzia. Mais uns foguetes a rebentar e um provérbio a recordar: Conceição de chuva, Luzia de sol. Conceição de sol, Luzia de chuva…

Em 2020 o provérbio não faz sentido, nem é necessário. Tudo muito nublado, por dentro. Em 2021, quer faça chuva, quer faça sol, voltamos à Missa Solene na Capela de S. Francisco, a Banda volta a tocar na procissão e palco, vamos apagar a “sede” de estarmos juntos, mais uma rodada do tinto, mais duas dúzias de castanhas, dois doces e três rosquilhos… acho até que os ferreirinhos vão querer voar, saudosos, para aqui poderem estourar.

Texto: Pedro Ribeiro

Fotos: Carlos Cherina

O povo não saiu à rua. Mas promete voltar.

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Senhora da Conceição

Patrona dos “ferreirinhos”

Madrinha, por adopção, 

Dos músicos mais novinhos

Rodela

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A Festa Litúrgica de Senhora da Conceição

A festa da Imaculada Conceição oferece-nos a leitura do Génesis (3, 9-15.20), na qual Adão manifesta medo pela sua nudez: “como estava nu, tive medo”.
O tempo de pandemia mostrou ao ser humano a sua nudez frágil, evidenciou a vulnerabilidade da natureza humana. Aproxima-se um Natal despido de jantares e festas, de celebrações alargadas, de adereços supérfluos, mais nu, embora não menos pleno de festa interior, de júbilo nascido da partilha solidária, de dom de si aos outros, sem embrulhos e fitas.
Na narrativa composta por S. Lucas para abordar o drama interior de Maria, saltam claros os limites da realidade de uma mulher perante os desígnios gratuitos e graciosos do Altíssimo. O medo de Santa Maria une-se ao medo do ser humano (Adão), agora liberta da maldade (representada na serpente do Génesis ou no Dragão do Apocalipse), por dom vivido na experiência de Jesus, vencedor na nudez acolhida por amor, esmagando a sedução do poder e da posse.
Na nudez e no limite humano, a criação é chamada a ser imaculada qual “hino de louvor” da misericórdia de Deus (Efésios, 1, 11-12). Cristo iniciou esta nova criação, o novo Adão abriu a maravilha do revestimento da graça de ser para os outros, também vivida por Maria, a serva do Senhor e nossa irmã na escuta: “não temas, porque achastes graça diante de Deus”.
A ressurreição de Jesus, a sua libertação da morte, restitui a Maria o seu ser esperança e promessa, pois a Imaculada conceição indica o dom de ser livres da frustração e da negação. Restitui a pessoa humana a si própria, salvando a sua debilidade intrínseca da pressão e da ação do mal. A assunção em Deus da nudez, do limite, do sofrimento, da morte e derrota do mal abrem a uma esperança cristã.
Cristo, cujo nascimento nos preparamos para celebrar, salva e redime a debilidade, a nudez que marca a experiência humana. Um horizonte novo nos impulsiona a resposta confiante de Maria, fragilidade entregue ao serviço singular da uma humanidade nova.
Com Maria do nosso lado, como membro materno da Igreja, não temeremos a nudez deste Natal 2020. O estilo mariano do seguimento de Jesus se expandirá em confiança firme e operativa caridade, animadas pelo Espírito Santo, que tudo renova.
Texto: Carlos Moreira Azevedo
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