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casa das artes
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A CIMfónica do Vale do Sousa

A CIM – Comunidade Intermunicipal do Vale do Sousa decidiu dar “música ao povo” e assim angariar algum dinheiro no âmbito dos programas comunitários disponíveis em sede do chamado 2020. Estão assim previstos seis concertos, estilo banda de música, a acontecer na região.

Para promover estes concertos, a CIM convidou as bandas de música a indicar um elemento. A soma das disponibilidades permitirá ao maestro (entretanto escolhido) criar uma “orquestra” que por sua vez actuará nos referidos concertos.

O ímpeto político da CIM levou-a a criar este “evento”, mas controlando internamente o seu orçamento, sabendo-se que cada banda receberá a distinta remuneração de mil euros pela indicação do executante, para os seis concertos.

Compete à CIM a promoção do território e das organizações nele residentes. E fá-lo dentro da legitimidade de representar municípios que lhe dão suporte. Mas competirá à CIM concorrer com organizações já existentes?

Ao criar uma “orquestra” funcional – para esta função – esgotando o orçamento disponível dentro das suas decisões internas, não poderia a CIM organizar os mesmos concertos e convidar as bandas existentes a executá-los, apoiando assim a cultura musical disponível? Para quê criar “uma estrutura” se podem convidar as bandas existentes e oferecer aos residentes os mesmos concertos que agora pretende realizar?

No mercado actual, um concerto de uma banda musical está orçamentado em cerca de cinco mil euros. Porque não então apoiar seis bandas por ano, utilizando assim o orçamento disponível para de facto apoiar os produtores e promotores da música sinfónica?

Qual a vantagem cultural da opção de criar novas estruturas quando no território existem cerca de trinta bandas sinfónicas?

Solicitamos à CIM que nos indicasse o investimento disponível nesta acção dos seis concertos. Esta informação ainda não nos foi disponibilizada. Continuamos interessados em conhecer as opções tomadas, até para perceber o circuito do dinheiro.

Arnaldo Meireles