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À ESPERA
casa das artes
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Piquem-me que eu gosto

Reuniu ontem o senado em assembleia municipal numa (longa) sessão onde foi possível medir a tensão política no concelho em ano eleitoral – o executivo em pressing contínuo, a oposição à espera do fim do jogo e a bancada (ruidosa) do público num entusiasmo próprio dos estagiários da política.

Na última reunião o senador Soares – da oposição – surpreendeu o executivo ao lembrar que nos últimos oito anos o poder se tinha esquecido de investir em habitação social. Ontem o cônsul Brito anunciou que a habitação social vai voltar ao concelho quer para restaurar habitação entretanto degradada quer para lançar novos projectos, dando a notícia que em Freamunde será edificado uma unidade orientada para jovens.

A assembleia aprovou mesmo (voto favorável do poder e abstenção da oposição) o regresso à aposta em habitação social no concelho, sublinhando o executivo a sua matriz “reformista” de atenção “aos mais pobres” aqui acompanhada com o cepticismo laranja de “acompanhar quem efectivamente precisa”.

Esta tese já foi testada e executada neste mandato nas orientações políticas na área da educação concretizadas nas opções tomadas em matéria de alimentação, disponibilidade de livros escolares e transporte de alunos. De facto as duas bancadas divergem na natureza e dimensão da aposta nestas matérias.

Considerações sobre Esquadra 12 

O senador Martins (Luís do PSD) procurou “armas” nos resíduos da Esquadra 12 e encontrou citações jornalísticas para confrontar o cônsul. E deu oportunidade para o poder anunciar que a estratégia de investimentos passa por investir em equipamentos em todas as freguesias, dando como exemplo a necessidade de responder às reivindicações da população (os eleitores, pois claro). E confirmou como prioritário o Centro Cultural pedido pelas associações de Freamunde.

Meter água na política

Está desenhado no céu que a água é um elemento essencial para a narrativa política na nossa terra. Além de ter colocado o cônsul Brito no poder, continua a ser fonte de preocupações como aconteceu com a intervenção do senador Soares que voltou a intervir, de forma sustentada e serena. Queria saber do cônsul como estão a decorrer as negociações de retoma de controlo de posse da gestão deste serviço público.

Caso tivesse merecido a benevolência da resposta às questões apresentadas, ficaria Soares com um manancial de informações muito úteis para a campanha em aberto. Mas às questões disse nada, preferindo o cônsul explicar os dados base do contrato de concessão que – podemos nós esclarecer – cheira bastante mal, muito mais que a Etar de Arreigada.

Vivia o país a sua experiência de “democracia de sucesso” e também aqui foi definido um contrato de concessão calculado de modo a garantir a rentabilidade “garantida” do concessionário. O povo paga sempre.

Agora que a “retoma da concessão” está em cima da mesa, salta à curiosidade política o preço a pagar para readquirir o serviço de águas e saneamento. O verdadeiro serviço público estaria na colaboração mútua dos senadores para verificarem a “vantagem” no regresso deste bem à posse pública, de modo a atenuar os “erros” – chamemos-lhe assim – originais do contrato.

Piquem-me que eu gosto

Os trabalhos corriam sonolentamente, ao contrário do esperado em ano eleitoral, e o cônsul Brito decidiu interpelar o silêncio do chefe da hoste laranja e comentando o discurso professoral do senador Soares. Apesar de apelar à cultura democrática do debate sereno, lançava as farpas necessárias para o ânimo das intervenções. Esperava saber “as propostas” da bancada opositora, agora que estamos a dias da definição. Em vão.

E se o segredo é “a alma do negócio”, acrescentamos que está bem guardado pois a oposição não dá mostras de abrir o jogo. Teremos de esperar pois pelas consequências desta “nova atitude” e quais as opções de futuro que Alexandre Costa tem para apresentar para o futuro da nossa terra.

Os estagiários da política

Aproveitando o regulamento do plenário, no período das intervenções do público, os liberais tomaram a iniciativa de mostrar que existem no concelho apresentando um conjunto de questões, sobretudo por Paulo Gomes. Claras, objectivas, serenas e certeiras. Estão a pensar na nossa terra e decidiram intervir por este meio.

A política mexe, vamos ver em que sentido e quais as consequências, sobretudo à direita. Aqui já existe muito barulho, protagonizado pela máscara negra do Chega que pelo entusiasmo de Carlos Dias incomodou os trabalhos mas sem a consequência pretendida – ser expulso da sala.

Este cronista que vos escreve

Assinalamos o tom cordato dos trabalhos, a dedicação e o serviço prestado à causa pública por todos os intervenientes. Vivemos numa terra fantástica, gostamos do sol que nos anima. E agradecemos a inteligência prestada pelos senadores – amar a nossa terra tem de ser uma devoção.