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PSD contesta “democracia Offline” do PS

O PSD não gostou de ver derrotada a sua petição para que as sessões da Assembleia Municipal fossem transmitidas em directo pela TV do Município e pergunta porque é que o “PS não quer que os pacenses
tenham acesso ao que se debate em sede de Assembleia Municipal” perguntando mesmo “de que tem medo o PS?”

De facto na última sessão o PSD apresentou a proposta de transmissão directa dos trabalhos da AM mas como previsto – tendo em conta idênticas propostas – o PS votou contra, embora com vitória tangencial dadas as três abstenções verificadas.

Segundo nota de imprensa do PSD,  “foi feito o apelo, por parte do líder de bancada Miguel Martins, para que os senhores deputados e Presidentes de Junta eleitos pelo PS, reflectissem em consciência se queriam ou não que os seus conterrâneos pudessem, via digital, assistir ao que naquela sala é debatido.

Lamentavelmente, por parte da bancada do PS, essa reflexão não foi tida em conta, e estes disseram claramente com a expressão do seu voto contra, que não querem que os pacenses acedam ao que se discute em Assembleia Municipal”.

O PSD argumenta que “esta proposta apresentada está prevista na Lei 28/20, o que esvazia toda a retórica de aflição demonstrada pelo líder de bancada socialista, Dr. Hugo Lopes, que revelou uma clara desorientação por ver que esta proposta poderia vir a ser acolhida e, a partir daquele momento, que todos os pacenses tivessem acesso ao que ali se discute”.

Caracterizando o mandato político da actual maioria como uma turbulência, o PSD pergunta “de que tem medo o PS?” uma vez que “pretendíamos com esta proposta (pela terceira vez!), que os nossos concidadãos tivessem acesso à casa da democracia, podendo desse modo, assistir ao debate político que ali acontece. Era só isso! Dar liberdade aos pacenses de assistirem, através das novas tecnologias, em direto ao que ali é discutido sobre o presente e futuro da nossa terra. O PS não quis dar essa liberdade aos nossos conterrâneos (pela terceira vez!)”.

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COMENTÁRIO

A TV do Município

A reprovação pelo PS desta proposta do PSD de “uma democracia online” – isto é, uma comunicação que permita o acesso livre dos cidadãos à informação – acontece depois de o mesmo PS ter dado início às emissões da TV do Município.

Como muitos outros concelhos, também a edilidade pacense decidiu lançar a sua tv. Apesar de ser propriedade do Município esta webtv não está isenta do cumprimento da lei de imprensa, e não se verifica ali uma visão plural do concelho, nomeadamente em sede de opinião.

Saudando-se o aparecimento deste novo órgão de comunicação – que também é um concorrente das entidades jornalísticas existentes no concelho – exige-se à actual maioria política um comportamento editorial que não prescinda das versões políticas correntes na nossa terra. E espera-se que haja espaço nesta TV para a opinião política de todos os partidos, deixando cair a imagem (que neste momento se constrói) de ser “o espaço da verdade oficial”.

A transmissão pela TV do Município das sessões da Assembleia Municipal permitiriam olhar para este órgão de comunicação social reconhecendo nele o interesse público a todos dirigido pelo menos por não exclui ninguém. Por isso entendemos que esta recusa do PS foi uma oportunidade perdida para legitimar a aposta na TV do Município.

Seja como for, o vazio do debate político que esta atitude do PS consolida será certamente preenchido pois a liberdade política nascida de Abril encarregar-se-á de criar oportunidades de debate noutras instâncias.

Arnaldo Meireles