As Sebastianas que tivemos em 2021

Estaríamos em rescaldo ou ressaca das estrondosas e inimitáveis Festas Sebastianas.  Estaríamos se… mas se Deus não trocasse os tempos aos homens. Dizia um avô que o homem  faz projetos mas “Deus troca-lhe os tempos”. E os tempos que seriam de festa de arromba, de  luz e de cor a encher os olhos, transmudaram-se em festinhas de grupos que, mesmo assim, na  sua grande parte, não se recataram do vírus que grassa por aí. A alegria do retorno faz crescer o  olvido e diminuir a precaução. 

  1. Sebastião é comemorado pela Igreja Católica a 20 de Janeiro, dia em que foi  martirizado por ordem do Imperador romano Diocleciano por ser um soldado de fé.  Depois de todas as setas espetadas e que hoje adornam e testemunham a sua imagem,  Sebastião conseguiu sobreviver até ser encontrado por Santa Irene que o ajudou a restabelecer se. Mas, porque tinha insistido na sua missão de evangelização foi morto. A sua imagem em  Freamunde teria estado na Capela de S. Sebastião mas depois de a demolirem teria passado  para a Capela de S. Francisco e posteriormente para a Igreja Matriz onde habita um espaço  especial para ser adorado e invocado para salvar o mundo da fome, da peste da guerra. E nunca,  nos tempos hodiernos, esta tríade foi tão magoante como agora em que a terrível epidemia nos  afeta de forma tão inquietante e temerosa, tão pávida.  

As festas em sua honra e que avocam um derivado do seu nome “Sebastianas”, em  Freamunde, realizam-se no segundo fim-de-semana de Julho e atraem milhares de forasteiros  sedentos de alegria, luz e música. Os programas são variados, há um leque de eventos que não  importa elencar (despertaria saudades) de cariz civil e religioso a que se adere com orgulho e  júbilo.  

“A pandemia estragou tudo” – dizia um festeiro, nervoso e ansioso, revoltado contra os  tempos de ameaças e desafios, os tempos que o Tempo muda, talvez o Tempo ou o Deus do  Tempo, não o Cronos mas o Kairós, o tempo de ordem existencial, um tempo qualitativo, que se  torna como no caso a que aludimos, de má qualidade, adverso e perverso.  

Preparemo-nos. Nem só de festas vive Freamunde mas de tradições e histórias que urge  reviver para densificar a nossa identidade às vezes hibernada debaixo do lajedo que oculta mas  não mata, porque o gene está latente. Pode vir à tona. Acordemos… 

Não quero nem devo eximir-me a endereçar os parabéns firmes e sinceros à Comissão  das Sebastianas 2020+1 pela entrega e criatividade, acreditando que as +2 serão mesmo de  arromba.  

Também à GNR pelo esforço e organização.  

Rosalina Oliveira, autora

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