Alterações climáticas: Sempre no limite

As alterações climáticas têm sido muito debatidas nos últimos dias, isto porque António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, veio alertar a sociedade mundial para a gravidade das alterações climáticas.

Este alarmismo deve-se à previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que previu que a subida das temperaturas não irá parar e na Europa este processo vai ser muito mais rápido que no resto do Mundo. Nesta previsão os cientistas e ativistas antevêem um aumento de dois ou mais graus até 2100, tornando-se a situação crítica para ecossistemas e seres humanos. 

Nos cinco cenários possíveis da evolução deste problema mundial, a Europa, tem as mesmas consequências em todos eles, a diminuição da frequência de ondas de frio e dos dias de neve. A subida do nível do mar, a perda de biodiversidade terrestre e marítima, secas, fogos florestais e ameaça à produção alimentar são alguns dos problemas que preocupam a comunidade científica.

Na passada segunda-feira, António Guterres disse que este relatório sobre o clima publicado pelos especialistas da ONU é um “alerta vermelho”. Para o antigo primeiro-ministro português, este relatório “deve significar o fim do uso do carvão e dos combustíveis fósseis, antes que destruam o planeta”. 

Em relação ao COP26 em Glasgow, Escócia, a realizar em novembro, Guterres pede igualmente aos dirigentes mundiais para alcançarem “sucessos” na redução das emissões de gases de efeito de estufa. O secretário-geral das Nações Unidas terminou fazendo um pedido “Os países também devem acabar com novas explorações e produção de combustíveis fósseis, transferindo os recursos dos combustíveis (fósseis) para a energia renovável”,

Em Portugal, a reação veio do Ministro do Ambiente que se manifestou “surpreendido”com o ritmo do aquecimento global e afirmou ao Diário de Notícias, que “seria um absurdo baixar os braços. João Pedro Matos Fernandes frisa que é preciso “fazer tudo o que está ao nosso alcance” para travar esta degradação do ambiente, o que implica “considerar este problema a principal preocupação” quando se pensa a sustentabilidade da economia e da sociedade. 

Afirmou também que “O compromisso que Portugal assumiu, de ser neutro em carbono em 2050, e que a Europa acompanhou com a lei do clima, com igual data, é mesmo um compromisso que o mundo tem de assumir em Glasgow, em novembro. É absolutamente essencial perceber que a economia só pode crescer com os investimentos focados na sustentabilidade”. 

A oposição tem criticado as políticas públicas e pede medidas que mudem o perfil da economia e o Ministro, entre outras medidas, diz que não é possível dar mais um cêntimo de investimento para os combustíveis fósseis ou baixar impostos para este setor, acrescentando que “É preciso acabar com os subsídios perversos”. 

O titular da pasta do Ambiente remeteu também para os 38% do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a chamada “bazuca”, que serão destinados à ação climática. Analisando a ação internacional, João Pedro Matos Fernandes, considera que é preciso um grande empenho, mas lembra que os EUA com Joe Biden irão regressar ao Acordo de Paris e, apelou para que em Glasgow, em novembro, se assuma o mesmo compromisso que Portugal ao acompanhar a lei do clima. 

Neste relatório estima-se que em 2030 seja atingido o limar do aquecimento global (aquecimento de mais de 1,5 graus centígrados), em comparação com o da era pré-industrial. Pensava-se que estes valores só poderiam ser atingidos em 2040, ou seja, a situação é mais crítica que nunca. É necessário atuar, para que não aconteça aquilo que temos presenciado nos último tempos imagens de inundações e incêndios, desastres ambientais, entre outros. 

Para agravar a situação até 2030, estamos a ficar sem capacidade de absorver o CO2 (dióxido de carbono).  Para além do “pulmão do mundo” (Amazónia) estar a ser devastado, a desflorestação é crescente em todo o mundo e, onde existe floresta, esta está a perder eficácia. O dióxido de carbono tem sido absorvido desde 1960 por florestas, solos e oceanos, conseguindo recolher 56% do dióxido de carbono emitido para a atmosfera pelas atividades humanas. Infelizmente, estas “esponjas” estão a dar sinais de saturação e como ninguém recolhe o CO2, ele acumula-se cada vez mais na atmosfera, o que faz com que o planeta aqueça. 

Por David Carvalho

(NB- Esta reportagem continua amanhã, desenvolvendo o tema da Economia do Mar e Economia Azul)

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