O silêncio que a água merece

A nossa terra atingiu o patamar de concelho civilizado quando conseguiu oferecer ao seus habitantes água potável em suas casas e uma rede de saneamento básico. Uma etapa que a todos deve orgulhar embora cada um valorize esta opção à sua maneira. Também é certo que este novo patamar civilizacional trouxe consigo a semente de uma mudança política radical.

O mérito a quem o merece e o reconhecimento ao PSD para, com os instrumentos da época, ter dotado o concelho desta infraestrutura, com os custos que se conhecem e ainda se discutem com a decisão do actual executivo a requerer a posse da concessão neste momento em sede de tribunal arbitral.

Coube ao PSD criar a rede de águas e saneamento (com um contrato hoje discutido), cabe ao PS discutir o contrato e reivindicar a municipalização da gestão das águas.

Entretanto a proximidade das eleições autárquicas e a coincidência de no mesmo momento se estar a decidir a reivindicação da CMPF em tribunal arbitral pede algum cuidado negocial e uma atenção especial a todos os intervenientes políticos.

Colocar na praça pública matéria em segredo de justiça (em negociação entre as partes) não ajuda as pretensões do requerente (que afinal somos nós todos). Mas foi isso que aconteceu no assembleia municipal numa intervenção do PSD e numa não-resposta do presidente do executivo, como assinalámos na nossa crónica “Piquem-me que eu gosto”. E acrescentamos que a resposta do presidente a acontecer incendiaria o debate da campanha e – acrescentamos agora – prejudicaria o interesse do Município em sede de tribunal arbitral.

Fez bem o presidente em reservar-se ao silêncio (negocial), fez mal o PSD em exigir uma resposta pública colocando em agenda – sabe-se agora – um conjunto de perguntas que mais não são do que as preocupações do dono do negócio (os investidores).

Não caímos na tentação de atribuir qualquer intenção malévola aos intervenientes desta disputa. Antes pressupomos o melhor empenhamento das partes em defesa dos interesses do município.

Dada a matéria em causa e a sua sensibilidade, a Rádio Freamunde não reproduzirá nem hoje nem no futuro os argumentos em disputa porque entende ser essa a forma de defender os interesses dos nossos concidadãos. Desejamos acima de tudo que a decisão do Tribunal Arbitral favoreça o concelho e o liberte das amarras negociais ali colocadas pelos interesses financeiros e dos quais o PSD não se conseguiu libertar. É também de referir que, se na mesma altura no lugar do PSD estivesse o PS, também este partido aceitaria as mesmas condições pois não havia outras! “Esta obra, estas condições”.

Mas a realidade move-se e ainda bem. Hoje o concelho quer libertar-se destas amarras e retomar o controlo das águas. Tal como o concelho vizinho de Paredes. Também a percepção da vida vai mudando e daí o interesse pela coisa pública.

Quanto aos investidores – profissionais do conflito e angariadores de comissões  – eles estão no campo (de negociação) deles, dispensando discursos alugados que mais tarde vão mesmo desprezar. No dia em que a gestão das águas cair na secretária do presidente Brito eles mesmos virão disponibilizar a V. Excia “todas as competências financeiras” para acompanhar “um projecto que conhecem desde o princípio”.

Porque será que uma moeda ou uma nota tem sempre duas caras?

Rádio Freamunde

 

 

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