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Realpolitik – a paz necessária mas impossível no PS

A tensão política no interior do Partido Socialista ultrapassou o limite da decência democrática e o interesse público exige dos seus membros um esforço de pacificação. Os eleitores que colocaram o partido a liderar a autarquia não merecem ser confrontados com notificações de guerra civil e esperam naturalmente uma decisão que esclareça a situação política e defina uma opção de poder.

Esta guerra de confrontação teve palco com a eleição da actual concelhia marcada com a apresentação de três listas e com a singularidade de uma lista ter o apoio do actual presidente do executivo. Nessa altura todos perceberam que esse acto era um alerta de Humberto Brito para esclarecer que a sua “morte” tinha sido erradamente anunciada e que o futuro do poder do PS no concelho não se desenharia sem a sua opinião.

Todos se lembram da anunciada disponibilidade do presidente em entregar o poder aos seus putativos sucessores e que esse anúncio deu oportunidade para o aparecimento de duas entrevistas na nossa “Gazeta”. Havia gente disponível para ocupar o seu lugar.

Com a disponibilidade anunciada, o presidente abriu a janela para que os adversários lá aparecessem, ficando assim definido o território, concretizado nas referidas eleições internas – onde Humberto Brito se ofereceu em sacrifício, pois o resultado era previsível.

O confronto de legitimidades

A concelhia inaugura o seu raciocínio tendo por base a legitimidade democrática baseada nos estatutos do partido  e no resultado que lhe entregou o poder dentro do PS. Cabe-lhe aprovar a lista às próximas eleições e por isso ter uma palavra fundamental na constituição da mesma.

O presidente eleito exerce o poder baseado na legitimidade que lhe foi conferida por 21000 eleitores. Cabe-lhe governar o concelho.

Estas duas legitimidades devem cohabitar durante os mandatos e é normal que episódios de confronto possam acontecer, dado que fazer politica não é mais do que gerir conflitos e interesses – o que acontece em todos os domínio da vida.

Compete também à distrital do partido acompanhar a “vida democrática” em cada concelho para não ser surpreendida com movimentos inorgânicos – sobretudo quando nos mandatos se abstém de acompanhar os interesses locais, como aconteceu no concelho com o silêncio de Pizarro e sua equipa.

O diálogo impossível

Estes hiatos de conversação potenciaram o conflito, hoje em situação irremediável, e será neste contexto que a lista do PS nas próximas autárquicas será apresentada brevemente e alinhavada por Humberto Brito que terá “carta branca” de Pizarro para a definir.

Nos próximos dias não faltarão notícias nos jornais sobre este assunto, dado que as hostes de Humberto vão cumprir à risca a indicação do presidente : “Com este PS de Paços de Ferreira, não”. E assim o “perdedor” da concelhia poderá dizer: aqui quem manda sou eu!