Sondagens, palpites e interrogações

Estamos a poucos dias de fechar o ciclo político das autárquicas, dando cumprimento ao ritual democrático e definindo o poder futuro. Nos próximos dias as arruadas aproximarão os candidatos e eleitores, numa genuína prova de que a democracia vale a pena. Talvez este seja o momento mais nobre da política autárquica.

A contrastar com esta vivência, chegaremos a dia 26 completamente exaustos dada a enxurrada de palpites que nos são despejados em casa através das redes sociais, onde abundam informações de quem não sabe, mas opina; de quem não percebe, mas explica.

Verifica-se nas redes sociais que os textos são sentenças, ou de outra maneira, são definições da “verdade” – mesmo tratando-se de mentira! – de texto de conveniência (ou a habilidade de mentir).

O lixo “informativo” das redes sociais é acolhido com palmas (likes) pela sensação que dá e não se espera que a “verdade” transmitida seja verificada/comprovada. Assemelha-se ao “diálogo” das claques do futebol: “e quem não salta……”

Plataforma política

Que o povo, nos seus momentos de distração, ande por aí para ser “informado” não nos deve indignar, pois cada um faz o uso que entende do seu tempo. Mas esta campanha usou e abusou das redes sociais e por isso a comunicação efectiva com os eleitores teve e tem um grau de credibilidade baixo.

Para percebermos a alta abstenção que vamos ter (cerca de 40%) pensem nisto: porque é que as redes sociais chegando a toda a gente não mobilizam as pessoas para as eleições?  A abstenção cresce porque o eleitor não encontra motivação para participar.

Ler e ouvir órgãos de comunicação social

O trabalho feito pelos órgãos de comunicação social do nosso concelho merece ser referido pois constituíram (constituem) uma plataforma onde os eleitores puderam “encontrar” os candidatos e verificar as suas narrativas políticas.

Destacamos o empenho da Gazeta de Paços de Ferreira, do Imediato, da Rádio Club e da Rádio Freamunde que ofereceram a todos os leitores/seguidores/ouvintes um trabalho de qualidade, profissional e, mais importante, dentro das regras do jornalismo, no respeito pelas normas éticas da comunicação.

Todos os candidatos encontraram nestes órgãos espaço e tempo para explicar a sua visão para o futuro, cabendo aos eleitores a decisão suprema no segredo do voto.

Fazer isto neste tempo, dominado pela “lixeira” das redes sociais, foi um acto ético e corajoso de quem, estando nestas funções, arrisca a sua credibilidade perante a crítica fácil e foleira de quem, sabendo escrever (ou quase) se manifesta respondendo ao seu interesse imediato e, muitas vezes, inconfessável.

O jornalismo profissional é um serviço comunitário, e os órgãos de comunicação vêem-se reconhecidos nos leitores/seguidores que agregam.

Têm estes órgãos um desafio pela frente – como dar voz à opinião política e comunitária nas suas edições/emissões quotidianas depois das eleições? Como ajudar a opinião pública a desenvolver-se, obrigando os partidos a apresentarem candidatos cada vez mais competentes e preparados?

Se fizermos isso, no futuro, vincaremos a diferença do nosso trabalho jornalístico perante o surgimento de “jornalistas de ocasião” que merecendo a liberdade da escrita colocam a narrativa política num patamar que nada acrescenta ao desenvolvimento do concelho.

A narrativa da classe política

Muito interessante tem sido a discussão entre candidatos e eleitores no âmbito das freguesias, onde encontramos novos valores – a qualidade dos candidatos é fonte de esperança para a política concelhia. E todos os partidos indicaram os seus melhores, como se nota pelo empenho na causa local.

Esta dedicação é merecedora do respeito dos eleitores, dado que a exposição pública nos tempos que correm exije coragem e desprendimento de quem se candidata.

Os órgãos de comunicação precisam de identificar estes heróis da causa pública, dar-lhe voz, no momento certo, para que, no futuro, a renovação das lideranças seja feita com maior conhecimento mútuo.

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