Gomes de Matos nos seus 105 anos

Gomes de Matos celebrou hoje com a família o seu 105º aniversário. Oferecemos aos nossos leitores algumas imagens desta data cedidas pelos netos Sílvia Matos e Alfredo Ribeiro.

Relembramos a nossa notícia de 2019:

Alfredo Gomes de Matos é um freamundense que vale a pena ouvir, recolhendo memórias e informações de um homem que nos seus 104 anos de idade dá testemunho de uma vida longa que sempre foi dura no trabalho – de que nunca desistiu – e vida feliz que transmite a quem com ele fala.

Foi assim quando nos encontramos para escrever estas linhas. Estava rodeado da família mais próxima, talvez um dos segredos deste homem que não gosta de criticar pessoas ou situações, e para quem normalmente está tudo bem.

E porque não haveria de estar (?) se hoje experimenta o conforto dos dias e do lar, quando na sua memória limpa passam as imagens de uma infância dura, de trabalho precoce a que se dedicou desde o 9 anos.

Experimentou o trabalho, no Porto, numa loja de louça e tabaco de sua tia que sempre o tratou bem, até ao dia em que teve de o repreender violentamente. Não é que o Alfredo, esse gaiato, depois de fazer uma entrega de encomenda no Campo 24 de Agosto, decidiu regressar pendurado num eléctrico?

A experiência não era muita, estatelou-se, mas isso não foi o pior. As vizinhas souberam da desdita e contaram à zelosa tia que não esteve com meias medidas. Porrada no rapaz, “para aprender” de uma vez só.

E aprendeu o Alfredo; escreveu à mãe para Freamunde e lá combinou que o melhor era regressar à terra natal. E assim foi, terminando uma experiência de quatro anos na civilização portuense, abandonando a loja que era ali na Rua do Freixo – pagando assim a poupança que fizera ao não comprar o bilhete do eléctrico.

Naquele tempo, um “homem” de doze anos tinha que trabalhar e assim deu os primeiros passos na Fábrica Grande onde aprendeu a arte de pintura metalúrgica e exerceu as funções de encarregado. Foi assim até aos sessenta e cinco anos, altura em que a reforma bateu à porta.

Mas devia ser reformado duas vezes. É que o senhor Alfredo de Matos quando saía da Fábrica, dirigia-se para a oficina de tamancos onde ficava até altas horas da noite: “trabalhava como um galego”, diz-me ele ao ouvido, como se fosse segredo, por ser verdade e, hoje, talvez motivo de interrogação dos seus conterrâneos, bastante mais novos, que torceriam a orelha por desejaram tanto tempo livre.

“Aproveitei sempre o trabalho que havia” e nos tempos livres sempre tratava de limpar uma matas, enchendo a casa da família com a lenha necessária para cozinhar e aquecer no inverno” e “trazia uma bolotas para alimentar os animais”.

Mas este “galego” de trabalho decidiu desenvolver a sua vocação artística na banda de Freamunde onde entrou ao 16 anos: “Agarrei-me até aprender e depois só deixei aos 78 anos”.

Recorda os nomes de todos os maestros que teve e descreve com rigor todos os instrumento que tocou (o que era preciso): clarinete, saxofone barítono, clarinete baixo, saxofone alto e pratelheiro.

Sessenta e dois anos ao serviço da banda da terra, sempre disponível, colaborante e rigoroso no cumprimento do dever – foi um exemplo para todos os músicos e um apoio crucial para o maestro. Aliás, conta que contava sair mais cedo da banda mas o maestro Neto “pediu-me para ficar mais um tempo, e eu aceitei”.

Alfredo Matos não comenta, por sabedoria, a actualidade da sua terra, mesmo quando lhe perguntamos como vê a evolução de Freamunde. Ficou-se pelas Sebastianas ao recordar que no “tempo dele” eram umas “grandes festas, que terminavam pela uma da manhã”, mas que agora “é medonho”.

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Texto: Arnaldo Meireles e Fotos: Pedro Ribeiro

 

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