A minha leitura dos 20 Pedaços de Nós

Enquanto cidadã nascida, criada e residente em Freamunde decidi fazer uma reflexão individual que gostaria de partilhar. Comprei o livro: ” 20 anos 20 Pedaços de Nós “, da autoria do freamundense Joaquim Pinto e apresentado pela Associação Pedaços de Nós, no passado dia 31 de julho.
Começo por salientar o prefácio da autoria do escritor José Carlos Vasconcelos. Palavras muito assertivas, humildes e conscientes são proferidas por um homem inteligente, com quem ontem me cruzei e cruzo frequentemente no nosso Parque de Lazer.
Já li algumas biografias, aquelas que me despertaram mais curiosidade, quando vi o índice. Saliento António Pereira da Costa, porque o meu pai trabalhou uma vida na Fábrica do Calvário construindo mobiliário e material escolar.
Recordo-me com saudade de umas cadeirinhas em pinho que ainda existem lá em casa e do material cuisenaire, numa caixinha de madeira que levei para a Universidade para mostrar a alguns colegas. As peças eram rigorosamente medidas e pintadas com cores diferentes.
A segunda biografia sobre a qual também me debrucei foi a do Professor Albino de Matos. Não me era totalmente estranha, pois o meu trabalho final de licenciatura foi sobre a indústria por ele fundada. Um trabalho de investigação que me deu muito gosto fazer e que foi reconhecido como bastante interessante pelos professores avaliadores.
O professor Albino de Matos foi um professor ilustre e com um mente pedagoga muito progressista para a época. Graças a ele muitas escolas do nosso país foram dotadas de mobiliário mais adequado e material escolar que até aí era praticamente inexistente. Apraz-me dizer, com orgulho, que o primeiro banco onde me sentei nos claustros do I.E.C da Universidade do Minho foi construido nesta indústria. Lá estava a evidência na placa identificativa.
Que bom, foi dizer aos colegas oriundos de outras terras que aquele banco foi construído na minha terra!
Enquanto freamundense, felicito o autor da obra e todos aqueles que intervieram na sua edição e publicação. Reforço também a importância das iniciativas levadas a cabo por esta Associação.
De facto e, parafraseando o Presidente da Associação Pedaços de Nós: ” Na escola primária, aprendemos a escrever as palavras marceneiro, móvel. Agora, vamos aprender mais uma grande lição, vamos aprender a lição de vida dos empreendedores, dos industriais visionários…”.No fundo, esta obra permite- nos conhecer a história dos nossos anciãos e do legado que nos deixaram a vários níveis , económico, social e cultural. Sendo que em algumas situações não lhe soubemos dar a continuidade devida, fruto também e outras variáveis , nomeadamente um desenvolvimento que não conseguimos acompanhar.
Lamentavelmente, grande parte das crianças já desconhece o que é que faz um marceneiro. É triste! Será talvez uma profissão em riscos de extinção?! Não quero crer, mas o tempo e a evolução o dirão. Talvez lhe mudem o nome…
Aconselho a leitura da obra a todos os freamundenses que se interessem por conhecer o passado da sua terra e, desta forma, compreender melhor o presente .
À Associação, resta- me dizer-lhe que aguardo pelos 25 anos para conhecer a história de outras personalidades que fizeram A História da nossa terra.
Um bem haja a todos os envolvidos!
Susana Alves

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