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Reflexão sobre renda acessível

O Instituto de Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e a Câmara Municipal de Paços de Ferreira vão construir habitações com rendas a preços acessíveis pelo Concelho, com início em Freamunde.

É A NOTÍCIA de obras da C.M.P.F. para Freamunde

Esta notícia merece um comentário sobretudo de alerta quer para os responsáveis políticos, quer à população de Freamunde em geral e dos moradores da zona escolhida para o efeito, em especial.

PORQUE ESTAMOS NO SÉCULO XXI…

O lugar escolhido ou proposto para a sua edificação…, NÃO é aconselhável.

O nome de “habitação com renda acessível” até pode ser “elegante”, mas na prática será mais um Bairro Social.

Nada contra.

Mas aqui…

Neste lugar…, já existe um.

Assim:

Juntar quem tem poucas condições de vida, a quem ainda luta por elas, não vai ajudar ninguém.

Antes pelo contrário.

Será como colocar lenha junto de uma lareira acesa.

Um pouco de vento… e pega fogo a tudo.

Não está certo.

As pessoas que lá moram, quer pelo que já passaram, quer pelo que eventualmente ainda possam estar a passar, merecem mais.

Merecem uma vizinhança mais estabilizada, com mais poder económico.

E esta zona…, dada a proximidade da escola, possibilita um tipo de construção mais elaborado, mais bonito.

Claro que isto não vai ajudar ninguém a melhorar a vida…, nem ninguém vai andar a dar dinheiro seja a quem for.

Mas vai, pelo menos…, poder aliviar a tristeza e as dificuldades da vida, disfrutando de uma urbanização envolvente mais cuidada e mais animadora.

Pobreza junto da pobreza só gera miséria…

NÃO é BOM.

…Mas mais importante ainda.

São as crianças…

Como ficam estas?…

Se um casal de trinta anos supera o estigma social, de viver numa zona “pobre” e degradada, porque acredita que a vida vai mudar, ou se uma criança de cinco anos tanto se lhe dá…, porque o que ela quer é brincar, será que uma criança de dez, doze ou catorze anos consegue superar tamanha “injustiça?”…

E os amigos e amigas em idade do conhecimento e afirmação, que simplesmente se afastam porque não querem entrar ou serem vistos pela sociedade a frequentarem uma zona “pobre”, será que não vai criar incompreensão e revolta de quem não tem culpa por ter nascido pobre?…

Claro que cria, que vai sofrer  e claro “sobrar” para cima dos pais professores e sociedade em geral.

Como professor aposentado, tenho condições de o poder afirmar:

“A juventude é Cruel e Implacável”.

Os jovens são no geral, afirmativos, práticos e directos.

Não têm consciência, das consequências dos seus comportamentos.

Cabe aos decisores políticos e à sociedade em geral compensar estas falhas ou “injustiças”.

NUNCA…, AS AGRAVAR como será este o caso.

COMO SOLUÇÃO?…:

A curto prazo:

Mudar de local.

– Integrar esta nova construção numa outra zona habitacional, afastada de qualquer construção do género quer pela utilização de outro terreno, quer por uma permuta de terrenos, ou ainda por compra de terreno.

Quem constrói campos de ténis e zonas de lazer de largas centenas de milhares de euros como a C.M.P.F., pode muito bem disponibilizar duzentos ou trezentos mil euros, para comprar um terreno e possibilitar esta construção. (Assim haja vontade)

A médio prazo:

Comprar espaços.

Se o I.H.R.U. (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana) tem dinheiro para construir e sabendo nós que a construção está a um preço galopante, então porque não comprar já, pavilhões abandonados e prédios de exposições hoje em dia inúteis, a um preço razoável e adaptá-los à habitação social?

– Não será por falta de bons arquitectos nem de engenheiros…

A longo prazo:

Atribuição de licenças de habitação.

A C.M.P.F., pode definir e estabelecer que todo o prédio a construir-se, para ter licença de habitabilidade, terá de disponibilizar 10 por cento (exemplo) da área de construção para fracções destinadas a fins de rendas a preço acessível.

– Os arquitectos saberiam como formatar o prédio a estas novas condições exigidas, de forma a não prejudicar a venda do prédio nem os possíveis compradores das respectivas fracções à responsabilidade da C.M.P.F.

Integrar NÃO é separar…

MUITO MENOS JUNTAR CLASSES ou CATEGORIAS.

Apenas como exemplo:

Eu podia ter feito a minha casa bem no centro de Freamunde, ao lado da Discoteca, pois tinha 3 mil metros de terreno.

Podia tê-la feito num terreno murado com 1,300 metros com uma linda vista, onde é atualmente o parque de estacionamento da quinta da Vista Alegre.

Entre outros locais.

Eram terrenos a custo zero, pois eram dos meus pais.

Mas porque aprendi a gostar de Freamunde e havia em Freamunde uma zona que socialmente era muito rejeitada, decidi que devia fazer a minha parte por Freamunde e melhorar a Gandarela.

Até porque as pessoas NÃO eram o que diziam.

Apenas eram pobres…

Directas no trato e sem etiquetas sociais.

Para mim:

NUNCA vi NISTO defeito…

Por isso, decidi comprar uma frente de terreno ao falecido e saudoso meu grande amigo António Teles (industrial), para poder ter acesso ao meu terreno.

Quem se lembra de como era aquele sitio…, sabe muito bem a evolução que teve e o quanto agora está mudado.

Pergunto…

Como estaria este lugar hoje, se em vez de ter feito a construção que fiz, fizesse uma casa como as que lá existiam, tipo barraca do Queirós?…

É DISTO QUE FALO…

Por Fernando J Santos