A.Ventura – o enviado de Deus

Caminhamos penosamente para as eleições presidenciais com vencedor definido e com um conjunto de candidatos, todos eles, dedicados a fidelizar apoios para outras eleições que não estas. Mas tivemos a epifania de que não esperávamos, em tempo de Natal, ao recebermos o enviado de Deus que desta vez se manifestou em Portugal tendo mesmo esquecido outros universos bem mais importantes como o da eleições americanas.

O enviado André Ventura diz-se portador de uma missão divina e que aí encontra a luz que vai salvar o nosso país e inaugurar uma nova república, talvez uma nova realidade a que se devota diariamente. E a sua missão não vai parar por aqui pois tudo indica que está disponível para explicar ao papa Francisco que essa coisa do Cristianismo também não está a correr bem e ele próprio precisa de ouvir este enviado de Deus para reformar a Igreja Católica também a precisar quicá do Vaticano III.

Portugal deve agradecer esta manifestação do sagrado – sempre imprevisível e arrebatadora – e Ventura (Bem-aventurado por financiamento americano do ex-cônsul de Miami) esclarecer-nos-á dos caminhos a seguir, ele que provou o sofrimento da miséria urbana quando foi candidato à Câmara de Loures e acordou para a vida pública.

Recordemos que antes do aparecimento de Jesus de Nazaré, Deus enviou João Baptista para o deserto, onde, comendo gafanhotos – o rendimento mínimo da altura – anunciou que o salvador estava para vir.

Mas os portugueses, que deram novos mundos ao  mundo, tiveram a sorte de no presépio de Loures ter nascido um bem-aventurado, ele próprio o salvador que todos esperávamos. Na nossa memória ainda reside a lembrança de um salvador que se perdeu no nevoeiro. Mas agora, com a globalização, temos mesmo um à nossa frente, em nossa casa, que nos explica as novas bem-aventuranças pela televisão.

Cabe-me agradecer a Deus, ter enviado mais um sinal redentor para que todos possamos arrepiar caminho e ter o céu na terra. Depois da eleição deste enviado tudo ficará resolvido em Portugal de tal ordem que poderemos dissolver o parlamento, dispensar os partidos, anular os sindicatos, pois não haverá tensões sociais resolvidas que estarão com o incenso do enviado.

É certo que na mensagem divina – ainda não totalmente revelada – haverá momentos em que o enviado de Loures anunciará que, apesar da bondade de Deus, o inferno e o mafarrico continuarão a existir. É que não há vida sem pena, e então as cadeias serão transformadas em caldeiras onde arderão na noite do apocalipse todos os bandidos que não acolherem a mensagem salvadora da humanidade.

Mas isso fica para mais tarde, pois sendo nós imperfeitos, ainda não temos a capacidade para acolher a mensagem de uma só vez. Só os enviados têm a divina capacidade para escrutinar a vontade do todo Poderoso – ele que ainda por cima se apresenta como Trindade, mistério que o enviado esclarecerá logo que o papa Francisco o receba em audiência (urgente) no Vaticano.

Aliás o papa Francisco, sabedor que é desta disponibilidade de Deus em se manifestar, mais uma vez, em Portugal, já instruiu alguns cardeais para prepararem esta audiência, ele que viu agora nesta campanha presidencial uma oportunidade única (irrepetível?) de acabar com os pedófilos que encontra nos corredores da Santa Sé.

E assim Portugal continua a dar novos mundos ao Mundo.

Arnaldo Meireles

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