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2 anos 10 meses 1 dia

Rio e Rangel – o busílis da questão

Vai o PSD realizar eleições directas para decidir o candidato do partido a primeiro-ministro caso vença as próximas eleições. Nas mãos dos militantes sociais-democratas está uma decisão fulcral para o nosso país. Uma personalidade a quem os futuros eleitores possam confiar os destinos do país.

Esta tremenda responsabilidade, agora restrita aos militantes, explica a importância do momento a acontecer dia 4 de dezembro próximo e prova a função e importância de um partido (de governo). Há de facto partidos mais importantes que outros embora todos necessários para expressar as tendências de uma sociedade aberta e democrática, como a portuguesa.

Rui Rio e Paulo Rangel são dois políticos sérios e competentes, com experiência na intervenção comunitária e com mundividências distintas.

O actual líder é economista de formação, tem experiência empresarial e autárquica e marcado presença em combates eleitorais. Primeiro na disputa interna pelo poder na concelhia e distrital do Porto, depois dentro do PSD – tendo sido secretário-geral do partido no consulado de Marcelo R Sousa – e mais tarde na liderança do partido. Aqui tem encontrado a resistência do “aparelho” por quem nunca “morreu de amores” por entender que esta “estrutura” acaba por dar corpo a interesses mais os menos claros e que desconsideram a actividade política.

A primeira grande experiência de Rio no PSD, como secretário-geral, ficou marcada pelo processo de refiliação que promoveu, ele que era conhecedor dos modelos de “chapeladas” eleitorais experimentadas no Porto, e na capacidade de multiplicação de votos por militantes acoplados em residências pouco rigorosas.

Esta atitude manifesta a personalidade dele – o rigor pelas normas é aceite como base para a construção de um caminho traçado com objectivos definidos – sempre disponível para um combate que lhe pareça justo. Foi assim na presidência da Câmara do Porto, onde entendeu defender que a gestão política da cidade podia ser orientada sem a preocupação de estar atento aos apetites de outras dimensões como era o caso da actividade futebolística.

Paulo Rangel é jurista de formação, tem experiência académica e política (a nível internacional) e tem participado em combates internos no PSD tendo estado muitas vezes ao lado de Rui Rio e sempre reservou para si um lugar de destaque na vida interna do partido onde foi e é considerado um quadro competente e capaz de mobilizar os eleitores num combate eleitoral.

Comentador habitual de política nas televisões – onde o sistema fabrica as lideranças políticas – coube-lhe defender as posições do PSD, nomeadamente nos consulados de Passos Coelho e neste período de mudança de paradigma, inaugurado pelo PS de António Costa, desde 2015.

Marcou assim nesta discussão, critérios de combate político, de natureza ideológica, tornando-se numa referência à direita do PS, a ter em conta. Natural assim o seu aparecimento na disputa de agora, deixando para trás outras tentativas de golpe à liderança actual que se sucedem, numa lógica de convulsão interna baseada na “convicção” de que Rio poderá ser um “um bom primeiro-ministro, mas não consegue ganhar eleições”.

Estas convulsões acontecem e são experimentadas sobretudo nas estruturas do partido ocupadas por profissionais da política, ávidos de experiências de governação e dela afastados pelo “golpe” de Costa e avisados por ele da existência da “linha vermelha” que os exclui da decisão do Orçamento ( E como isso é importantes para os inquietos sociais-democratas, habituados e bafejados pela “democracia de sucesso” de Cavaco Silva – foi um bálsamo!- e pelo poder passista que apesar de “boa memória” (venceu eleições/garantiu o poder) era “demasiado” rigoroso e poupado – aquela de dizer não a Ricardo Salgado, foi um incómodo para tanta gente!!!, sobretudo para os aristocratas do corte de Lisboa.

A decisão do dia 4, privada aos militantes, vai assim fornecer aos eleitores portugueses um modelo de liderança. Os aristocratas da corte de Lisboa preferirão Rangel que lhe garantirão vantagem nos “tempos de antena” das televisões, resta saber como reagirão os militantes anónimos. Rio sabe nadar nestas águas.